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Por acaso você conhece o método PBL? Sabe o que significa PBL? Nunca ouviu falar? Então já é hora de você conhecer. Vou te mostrar nesse artigo. 

A sigla PBL é de origem inglesa e significa Problem Based Leaarning. Traduzindo: Aprendizagem Baseada em Problemas. Parece algo muito novo, mas não é.

O PBL surgiu por volta dos anos de 1960, na área da medicina, sendo adotado pela Universidade McMaster, no Canadá, e pela Maastricht, na Holanda. De antemão já vou te falando que esse método tem ganhado muitos adeptos ultimamente.

Já no Brasil o método de Aprendizagem Baseada em Problemas foi aplicado primeiro na Faculdade de Medicina em Marília, estado de São Paulo, e na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.

Posteriormente a novidade chamou a atenção de outras instituições e agora muitas já trabalham com o PBL, não só na área de medicina, mas também em outros campos em razão da Aprendizagem Baseada em Problemas visando a formação de profissionais com capacidades multidisciplinares.

Entendido até aqui? Então vamos adiante.

Saiba com são as aulas utilizando o método PBL

Agora quero te mostrar um pouco de como são as aulas com o método PBL, mas antes você precisa saber que a Aprendizagem Baseada em Problemas ocorre de maneira muito diferente de como aconteciam no modelo tradicional. Na verdade o PBL chegou pra mudar esse panorama.

Com o PBL o próprio estudante busca seu aprendizado. Sendo assim, o conhecimento prévio serve de escada para o acesso a novas fontes de informações.

 As aulas utilizando o método de Aprendizagem Baseada em Problemas devem preferencialmente ocorrer em grupos, onde a busca por soluções que envolva os participantes. 

Os integrantes do grupo trocam conhecimentos entre si. A fim de incentivar a troca de ideias, esses grupos devem ser compostos por alunos com habilidades diversas. Sendo assim os que possuem mais facilidade auxiliam aqueles com mais dificuldades.

As aulas práticas trazem mais motivação. Com isso aumentam a participação e o rendimento escolar.

Segundo Ricardo Shoiti Komatsu, em seu artigo Aprendizagem Baseada em Problemas: um Caminho para a Transformação Curricular, os estudantes têm que assumir a função de verdadeiros condutores do seu próprio processo de aprendizagem, e, para tanto, há uma habilidade fundamental a desenvolver: aprender a aprender.

A utilização dessa metodologia promove uma maior integração. Como resultado desse processo os estudantes se tornam mais independentes e com uma visão crítica

 Com o trabalho em equipe, os alunos aprendem a dividir tarefas e valorizam as opiniões dos colegas. Dessa maneira aprendem a respeitar a divergência de ideias.

Através desse método é possível trabalhar conteúdos de diferentes disciplinas, tendo em vista que, a solução do problema pode exigir conhecimentos não somente de uma única matéria. Sendo assim o PBL promove a interdisciplinaridade.

Uma aula utilizando o PBL é composta pelas seguintes etapas: 

Apresentação do problema 

O problema surge a partir da interação entre os alunos ou, o próprio professor pode apresentar uma situação problema. 

Com o intuito de auxiliar os alunos, é interessante que nessa etapa o professor relacione a situação com conteúdos já estudados. Desse modo eles entenderão que a solução estará ao alcance deles.

Conflito cognitivo 

 Nessa etapa o aluno se depara com o problema e percebe que precisa buscar novos conhecimentos além daqueles que já possui, para que possa solucioná-lo. De certa forma, o conflito pode impulsionar e motivar os estudantes a construir o novo conhecimento.

Nesse meio tempo, o professor deve passar pelo grupo trazendo orientações para que os alunos iniciem a pesquisa. Ao mesmo tempo, ele pode sugerir textos, documentos compartilhados, sites para consulta, dentre outros.

Resolução do problema 

Nessa etapa é necessário traçar um plano, tendo como base o novo conhecimento que será colocado em prática para encontrar a solução.

Com toda certeza esse é o momento da discussão entre os membros do grupo. Consequentemente, essa será a hora mais legal da aula.

Aqui é interessante que todos se manifestem. Assim, serão maiores as chances de encontrar a solução. 

Apresentação da solução

Após encontrar a solução ou, possíveis soluções, o grupo apresenta suas ideias para os outros alunos da turma. É o momento de compartilhar a solução encontrada. Para que haja maior interação, é importante que nessa etapa haja a participação de membros de outros grupos. É provável que outros alunos discordem da solução encontrada. Certamente isso favorece o aprendizado.

Avaliação dos resultados

Inegavelmente a avaliação é um processo que deve oferecer oportunidade de aperfeiçoamento, independente de qual método de aprendizagem seja utilizado. Portanto, é através dela que tanto o estudante quanto o professor conseguem analisar os resultados e saber quais objetivos foram atingidos.

Essa etapa é extremamente importante. No momento em que avalia o aluno, o professor vai verificar se foram desenvolvidas algumas habilidades como trabalho em equipe, criatividade, realização de pesquisas, planejamento e desenvolvimento de soluções. Em resumo é nesse momento que o aluno vai saber onde e como melhorar seu desempenho. 

A avaliação não deve ser baseada somente em provas. A  fim de avaliar o desempenho dos grupos, o professor pode utilizar outros meios como seminários e apresentações. 

Vou descrever aqui mais duas formas de avaliação compatíveis com a Aprendizagem Baseada em Problemas: a autoavaliação e a avaliação aos pares.

  • Autoavaliação – O estudante faz uma reflexão sobre seu desempenho no processo. Ao mesmo tempo enumera os  pontos positivos e negativos. Com a finalidade de obter  crescimento, o aluno define quais ações vai desenvolver nos próximos trabalhos.
  • Avaliação aos pares- Aqui acontece uma avaliação recíproca. Dessa forma cada aluno analisa o desempenho do colega. Esse tipo de avaliação está ligado diretamente ao PBL, pois valoriza a metodologia ativa e o protagonismo do aluno. Outro ponto positivo dessa forma  de avaliação é que promove interação entre o grupo.

Quer um exemplo de situação problema para uma aula utilizando o PBL? Veja a seguir.

Em uma aula de geografia, o professor pede a um grupo de alunos que apresentem ideias que possam resolver o problema do desmatamento na Floresta Amazônica. Por sua vez, o grupo vai utilizar o que aprendeu ao longo da disciplina para buscar a solução. 

Lembra que falei antes que a solução do problema não depende única e exclusivamente de uma disciplina?

 Por isso, a partir do momento em que pensam em encontrar soluções para o desmatamento, é fundamental que os estudantes relacionem a geografia com outras áreas. É a hora em que acontece a interdisciplinaridade. Nesse percurso, novos conhecimentos são adquiridos.

PBL: quais as dificuldades deste modelo quando comparado a tradicional aula expositiva?

Antes de falar sobre as dificuldades, quero apresentar aqui os tipos de metodologia utilizados em uma aula expositiva e no PBL. Creio que dessa forma fica mais fácil a compreensão do método proposto,. não é mesmo? Aliás, a metodologia é a principal diferença entre esses dois modelos.

Aula expositiva: como acontece?

Em uma aula expositiva, a metodologia usada é aquela tradicional. O ensino tradicional coloca o professor como centro do conhecimento. Desse modo, a relação professor-aluno acontece de maneira vertical.

A metodologia tradicional é bastante popular no Brasil, sendo mais utilizada em escolas públicas estaduais e municipais. 

Apesar disso, esse modelo já começa a perder espaço por conta da inserção das ferramentas tecnológicas na educação e por não atender o que pede a Base Nacional Comum Curricular – o protagonismo do aluno.

Qual é a metodologia utilizada  no PBL?

Por outro lado, na Aprendizagem Baseada em Problemas usa a metodologia é ativa. A grande diferença é que há um engajamento por parte dos alunos. Assim eles têm autonomia para executar as tarefas, visando a solução do problema.

Quando se trabalha com o PBL o professor deixa de ser o centro das atenções e passa a fazer o papel de mediador do conhecimento. Nesse caso a relação professor-aluno passa a ser horizontal.

Após entender as duas metodologias, fica claro que o professor vai se deparar com algumas dificuldades ao ministrar uma aula no modelo PBL.

Mas, quais seriam as dificuldades? Vou mencionar algumas delas.

Para uma aula no modelo PBL, o professor precisa estar convencido que terá um trabalho muito maior. Em contraste com uma aula expositiva, a Aprendizagem Baseada em Problemas exige uma melhor preparação.  

Com a finalidade de atender os alunos pra que busquem solução para o problema, é necessário que o professor esteja atento pra que não fiquem lacunas no processo de aprendizagem.

Da mesma forma que precisa de mais empenho pra selecionar o problema a ser trabalhado e atender os grupos, o docente tem que se preparar melhor para avaliar os estudantes.

Às vezes você está achando que só existem dificuldades quando se usa esse método. Não se assuste! Dá pra ver vantagens também. Confira!

Ao trabalhar com Aprendizagem Baseada em Problemas, o professor tem  chance de melhorar seu desempenho. Isso acontece porque as aulas são diferenciadas. A utilização de recursos tecnológicos é um exemplo disso. 

Sem dúvida o atendimento a pequenos grupos também facilita a interação e o reconhecimento das dificuldades de maneira individual. Portanto, a tendência é que o rendimento escolar melhore.

 A Aprendizagem Baseada em Problemas chamou sua atenção? Está interessado em montar uma aula em PBL? Para fechar esse nosso artigo, vou te dar algumas dicas que levantei estudando o tema..

Dicas para montar aulas e cursos em PBL

1- Entenda a importância do protagonismo do aluno

 Para alcançar bons resultados com a aplicação do método PBL, primeiramente você tem que entender que a nova concepção enxerga o aluno como protagonista. Portanto a ideia de que é o professor quem passa o conhecimento deve ser substituída.

 De acordo com a metodologia ativa, o conhecimento é construído através da interação entre o professor, o aluno e o objeto de estudo. 

2- Saiba identificar o problema

Para que os alunos se sintam interessados em correr atrás de soluções, é preciso que o problema apresentado faça parte da realidade deles. É provável que uma situação que não faça parte do convívio deles não desperte interesse.

Logo após ter em mãos um problema que faça parte do contexto dos estudantes, verifique se ela pode ter mais que uma solução. 

Certamente quanto mais soluções possam ser encontradas para um problema, maior será o volume de informações a serem buscadas. 

3- Prepare um bom roteiro para os alunos

A princípio o roteiro é base para elaboração de todo tipo de apresentação. Ele contém os passos a serem seguidos. Assim também em uma aula em PBL o estudante precisa saber qual caminho seguir para procurar informações, encontrar a solução do problema, e por fim realizar a apresentação para a turma.

4- Delegue funções aos membros do grupo

Em um trabalho coletivo é importante que cada membro saiba o que deve fazer. Para isso o professor pode atribuir as seguintes funções:

  • Mediador – irá organizar o debate e garantir a participação de todos.
  • Relator – será responsável por registrar as opiniões. Ele fará a apresentação da solução encontrada para o problema.

Além dessas funções, ainda poderá designar um membro para controlar o tempo de fala dos participantes e outro para manter a ordem no grupo em momentos de divergência.

Que bom que você leu esse artigo até o fim. Agora já pode montar sua aula utilizando o PBL. Depois, conte-me a sua experiência! Foi boa? Deu certo? Como foi a sua aula?